08 maio 2011

provavelmente

pois quando entrei lá, achei que as coisas mudariam. e achei que os pés, cheios de cascas, cansados de andar; e o nariz, repleto, invadido, transbordante de imensitude, de algo realmente grandioso; achei que os ouvidos, tão hospitaleiros e simpáticos; achei que minhas mãos, sem mais tremulices, receberiam, dignamente, flores e amor; acreditei achar a solução para todos os problemas. e que meus pés gozariam e desfrutariam do melhor gramado; da grama mais verde e confortável de se pisar. achei que os abraços seriam tão longos quanto os braços. mas descobri que lá, onde é tudo vazio como em qualquer lugar, é, sim, habitável. porém, terei de construir - com esforço - minhas paredes. terei de costurar meu cobertor se não quiser morrer de frio. lá, naquele lugar, naquele que já foi mal e bendito, que foi esperado e odiado. aquele lugar, onde planfleta-se a falta de zêlo ou apenas uma esperança tola que descansa debaixo das árvores.

um lugar comparável a muitos outros - mas que, hoje, sei bem, me disseram: a vida é assim. e digo agora, puramente, sem paixão alguma, é um lugar como todos os outros. há doçura, sim, como deve haver (também) no fim do mundo. e há angústia, principalmente, em mim. logo eu, penso. justo eu, penso, que sempre lutei contra a poesia manicomial que brotou neste corpo ainda criança.

pois se meus sapatos são gastos
(e hoje sei que são)
são meus sapatos. meus.


e as pessoas são más. todas elas. ou quase todas.

2 comentários:

george jung disse...

gostei das vírgulas e, você sabe, prefiro crer em rousseau. há exceções.

coisa linda de se ler.

kadu disse...

neste mundo, a terra, há vários tipos de motel