25 novembro 2009

aos prantos. assistindo vídeos de adoniran barbosa, tonico e tinoco, demônios da garoa. pensando em minhas raízes, revendo o que sou hoje, lembrando com amor da mooca, a saudosa maloca que me deu asas. penso em minha família e no tamanho que o mundo tinha. lembrando do sítio de meu tio, das intermináveis modas de viola durante os fins-de-semana. pensando em meus pais - ainda jovens, cheios de vida! - e em tantos carros velhos que tivemos. todos, absolutamente, tinham um só apelido: possante! e enfrentavam a estrada até biritiba mirim, onde um pedaço de terra nos abrigava. ah, e a mooca, a mooca. o samba, os botecos, o parmêra. passeios de carro com papai pelo brás e pari. e essa sensação engasgada de choro, de saudade doída. de realizar que cresci, que criei cascas, que o mundo mudou. que meus irmãos não fazem cerol, não empinam pipa, não usam boné pra trás, não são magrelos, não são mais meninos. não nos socamos mais por causa de um singelo toddynho, não vemos a sessão da tarde. não moro na mooca. não sou criança. o sítio foi vendido.


é uma dor que, agora, me faz contemplar o essencial.


"E prá esquecê nóis cantemos assim:
Saudosa maloca, maloca querida,
Que dim donde nóis passemos dias feliz de nossa vida"

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