05 março 2013

pra quem nunca ganhou um jabuti

pessoais é foda as prateleiras das nossas livrarias preferidas estão com um grave problema elas foram acometidas por livros blogueiros as pessoas simplesmente esqueceram que literatura é uma coisa e blog é outra tá cheio de livro blogueiro no pior estilo clarah averbuck fodeu é o fim dos escritores agora todo mundo é blogueiro a moda agora é namorar pelado e ser blogueiro o sonho acabou

não sei se foi o jornalismo, mas de repente eu perdi todo e qualquer tesão em escrever lite cof ratura
um dia comprei um caderno colorido e pirotécnico e comecei uma peça
um filme
mil duzentos e quarenta e dois poemas
e, do nada, cansei
cansei muito
em contrapartida, estou lendo feito louca
e é muito melhor ler do que escrever
quero o anonimato total, bicho
canseizão de ser a sensação literária do momento

é óbvio que estou brincando
nunca ganhei o jabuti
nem o nobel
nem o oscar
nem o bbb

antes de tudo, vou colar aqui algumas anotações do caderno pirotécnico. escritos soltos, poemas e trechos de uma canção do luis miguel que canto chorando. vocês deviam ouvir essa canção.


quero escrever uma
história de amor
uma grande história
de amor.
acho que sempre quis.




outro dia, no metrô
um rapaz anunciava seus produtos à venda
"promoção shopping-metrô-trem
enquanto o zoião do guardinha não vem"




escrevendo bastante nesse caderno
só porque é um caderno novo.
na verdade, essas cores fortes me injuriam.
apesar de também já ter enjoado
das folhas brancas.

mas dizem que branco é uma cor que não enjoa.



as atendentes do restaurante
na paulista
as atendentes limpando
as atendentes
casa
casa
ir pra casa.



ALBATROZ.



dicen que la distancia es el olvido
pero yo no concibo esta razón
porque yo seguiré siendo el cautivo
de los caprichos de tu corazón



galáxia
lua
dentista
leite desnatado



a vila leopoldina é cheia de luzes verdes. eu acho.



ceci perdeu o caderninho amarelo de sassá. o caderno que eu tanto cobiçava ler (um dia irei). e agora estamos todas preocupadas com o destino do tal caderninho. "é um segredo." antes fosse uma cebola. não é. problema é que sassá não sabe que seu caderno sumiu. e agora a vejo na aula, silenciosa, em paz. como ela irá reagir? é um segredo.




PRÓXIMA ESTAÇÃO
MARECHAL DEODORO
DESEMBARQUE PELO LADO DIREITO DO TREM



manhã de terça-feira
o som do metrô
o silêncio do coletivo
meu coração
quer abrigo



hoje tá tão frio
mas tão frio
que só entrei na aula pra me sentir aquecida.



no ponto de ônibus

olhei pra trás
e uma moça comia salgadinho com tamanha gula e desatenção
fiquei pensando se ela sabe o que é poesia.

porque, na verdade, ninguém tem que saber o que é poesia.
foi apenas uma indagação minha.

amo a todos.


ps - continuando com a tara de escritores desconhecidos, hoje eu comprei um livro e pensei "que porra de nome é esse?". quando abri o livro, o autor explicava que aquela palavra foi a terceira coisa que ele disse/balbuciou na vida. fez todo sentido. parem de fumar maconha e comprem livros, seus marginais. ou vocês vão acabar como o zé celso. pelado e maconheiro. tá bom, isso pode ser legal também.

02 fevereiro 2013

livros e gatos

ia dormir mais, mas não resisti
abri uma fresta da janela
e comecei a ler o livro que comprei ontem

rafa disse que sou o sonho de qualquer escritor
porque entro em uma livraria e compro um título qualquer
não preciso de referências ou resenhas elogiosas
gosto de ler alguns trechos (principalmente as primeiras frases)
admirar a arte
sentir a textura das folhas
checar o espaçamento (extremamente importante)
e pronto
se gosto, compro
não preciso ter ouvido falar do autor
gosto da surpresa

pois
agora os gatos da rua aparecem em minha janela
contabilizo três noites seguidas já
o gatinho aparece aqui, mia e preciso abrir a janela
converso com ele, que me olha nos olhos de um jeito obsessivo
e quase assustador
aí fecho a janela e volto a deitar

na primeira noite eram dois gatos
e depois só um apareceu

ontem ele ficou de longe
em cima do carro do vizinho
e mesmo assim, distante
eu podia sentir seus olhinhos loucos me fitando
enquanto eu fumava e fazia barulhos esquisitos para que ele se aproximasse




21 agosto 2012

saudade é ouro


juazeiro
que nem sei que é
alento
joaninha
flor-de-água
maralismos
morangotangos
e outras dessas coisas

como uma casa cheia de areia
e meus primos
se entenda-se lá

quanto mais leio o livro de guimarães rosa
menos entendo
mas vem uma vontade de grifar
grifar tudo
e sempre me avessei aos rabiscos
mas ler e esquecer é problema
e o livro é lindo, lindo

saindo da puc, tateei tudo na banca
manuais para emagrecer
revistas "femininas"
como decorar ambientes
filosofia
psicanálise
papo-cabeça
mas fui mesmo de maurício de sousa
comprei o almanaque da tina
porque adoro o rolo
e a tina e a amiga dela

também comprei um maço de cigarros

jaboticabeiro
galinhas

a gente vai envelhecendo e as memórias da infância ressurgem
dum jeito brabo
vem em cores vivas
em cheiros e sons
dia desses foi o spray de cabeleireiros

na mooca, mamãe só fazia o cabelo com maura
uma mulher espevitada
de cabelos curtinhos
sotaque ultra paulistano

eu gostava de perambular pelo salãozinho
via tudo
presilhas, tesouras, esmaltes
mas o mais doce dos momentos era mesmo sentir a fragância do spray
o spray de cabelos
que hoje só usamos para festas
mas naqueles tempos, todo corte de cabelo parecia exigir
era um spray de lata azul e tampa branca

dia desses passei uma noite toda sentindo esse cheiro

como sempre sinto o cheiro do buster
meu boxer que, com 10 anos de vida, fugiu
fugiu
sabe-se lá
o portão aberto
buster bonzinho demais
foi passear
nunca voltou

espalhamos cartazes escritos à mão por toda a mooca

nunca tivemos uma notícia sequer

até hoje choro

penso no buster
fofinho
tinha cheiro de salgadinho
aqueles pelinhos dourados
o focinho preto
o peito branco
as patinhas no chão
tudo nele era lindo

lembro quando eu lavava o quintal e gritava com ele
dizendo: vai pra casinha!
hoje me arrependo dos gritos

ele era o mais doce dos cachorros
me desculpe, buster

esse blog é mesmo um espaço onde me retrato

porque escrever me faz pensar e pensar me faz lembrar
lembrar me faz repensar
e repensar me dá vontade de ser perdoada

me dá saudade

essas coisas


25 junho 2012

improvisos no azul

como uma fenda aberta ou uma canção-chiclete
mastigo um pedaço de pimenta desconhecido
algo com ares de zombaria
ou blues
mas boto os pés no chinelo
e improviso uma letra
que diz my heart is red, my heart is red

é este, aliás, o meu login do soulseek
hoje, brunojazzistico baixou eu quero tchu eu quero tcha de myheartisred
ri silenciosamente
daquelas piadas toscas que só vale a pena rir por dentro
se contasse pra alguém, faria papel de idiota

há metafísica e antropologia em uma loja de sapatos
vendedores e suas técnicas rendem um bom estudo
foi rafael, um rapazinho novo, quem mevendeuminhas novas botas de cowboy
assim que o cartão fora passado - e não havia retorno, as botas eram minhas -
agradeci o atendimento
ao que o moço enrubesceu

enquanto eu provava um oxford amarelo, um slipper azul e as botas de cowboy, rafael tentava me convencer que o sapato escapava do pé porque eu não estava amarrando com força

olhei os sapatos dele

estavam mesmo amarrados com força

talvez eu não goste de amarrar os sapatos com força

( e eu explicava que os dedos doíam se eu amarrasse com força)





ágora agora





por alguma razão, lembrei-me da cena do peixinho em cima do carro
o cinema pode ter diretores monstruosos para todo o sempre
mas a delicadeza de miranda july existe apenas para fazer o espectador se corroer
de delícia e horror
de medo e mágica
de fofura e violência

quero assistir de novo

quero assistir a cena da loja de sapatos. isso. quero assistir a cena da loja de sapatos.

28 maio 2012



o dia 
transcorre
entre as manchetes 
do jornal 
e os cafés
na padaria




- alberto martins