(inspirada por rené)
penso
logo
caio
dentro
de
mim
(inspirada por nina)
o mergulho
há um buraco gigante
dentro do mar
um vão negro
quero pular
dentro
dele
deixo a gravidade guiar meu corpo
que é carne
e espírito
slow motion
vou caindo
fico fácil
avessa à flertes
deixo o perigo me seduzir
estou dentro d´água
de braços abertos
me sinto livre
e grande
caindo
dentro do buraco
dentro do mar
dentro do mundo
caio serena
com um sorriso
docinho
em meus lábios
azuis
sozinha
e tomo o mar pra mim
agora sou sua dona
14 março 2011
26 fevereiro 2011
são pássaros / dissuadindo
são pássaros
que sobrevoam
uma cabeça
aerada
repleta de bolhas
que dançam
e explodem
dançam
e explodem
luzes
de 15w
verde&laranja
são luzes
imperceptíveis
que atravessam
o papel
e a caneta
é amor
e contestação
um bend
na violinha
e a voz
nunca fui sua musa
pois não fui inalcançável
não estive atrás de uma vitrine
fui real
fui sua
sua mulher
sou amada
não fui adorada
me inspira o que pulsa
o que nasce
e morre
não amo o plástico
nem o concreto
sempre detestei morcegos
mas ontem vi um reportagem
e tive vontade
vontade de ser
um morcego
lá ficar
com minhas asas
negras
de ponta-cabeça
idolatrando a silenciosa meditação diurna...
o escuro é um poço
sem fim
é sagrado
um descanso aos olhos
os olhos precisam de vitaminas,
precisam do sol
e precisam também
da escuridão total
eu sou um olho.
preciso ser um morcego
e
às vezes
um pássaro
ou até mesmo
uma formiga minúscula
silenciosa e insignificante
em sua singela existência
simples
vulnerável
quero ser rasa como uma formiga.
agora.
__
dissuadindo
respeito a sina de cada um
acontece que estou numa fase autobiográfica
engatinhando
quanto mais velha fico,
mais menina me torno
invadida por uma compaixão demasiada
um altruísmo sentimental irrefreável
à margem
fêmea
repleta de pensamentos
com um corrimento
do cérebro aos pés
e o mundo talvez me condene
mas virei uma bunda-mole
uma madre teresa
que pensa três vezes antes de falar
me virei pra dentro
minha língua secou
minha ânsia aquietou
não é paz de espírito
é aceitação
"o que tem pra hoje"
zé ninguém do meu próprio universo
às custas de algumas lágrimas
mas
sou
eu
assim
.
que sobrevoam
uma cabeça
aerada
repleta de bolhas
que dançam
e explodem
dançam
e explodem
luzes
de 15w
verde&laranja
são luzes
imperceptíveis
que atravessam
o papel
e a caneta
é amor
e contestação
um bend
na violinha
e a voz
nunca fui sua musa
pois não fui inalcançável
não estive atrás de uma vitrine
fui real
fui sua
sua mulher
sou amada
não fui adorada
me inspira o que pulsa
o que nasce
e morre
não amo o plástico
nem o concreto
sempre detestei morcegos
mas ontem vi um reportagem
e tive vontade
vontade de ser
um morcego
lá ficar
com minhas asas
negras
de ponta-cabeça
idolatrando a silenciosa meditação diurna...
o escuro é um poço
sem fim
é sagrado
um descanso aos olhos
os olhos precisam de vitaminas,
precisam do sol
e precisam também
da escuridão total
eu sou um olho.
preciso ser um morcego
e
às vezes
um pássaro
ou até mesmo
uma formiga minúscula
silenciosa e insignificante
em sua singela existência
simples
vulnerável
quero ser rasa como uma formiga.
agora.
__
dissuadindo
respeito a sina de cada um
acontece que estou numa fase autobiográfica
engatinhando
quanto mais velha fico,
mais menina me torno
invadida por uma compaixão demasiada
um altruísmo sentimental irrefreável
à margem
fêmea
repleta de pensamentos
com um corrimento
do cérebro aos pés
e o mundo talvez me condene
mas virei uma bunda-mole
uma madre teresa
que pensa três vezes antes de falar
me virei pra dentro
minha língua secou
minha ânsia aquietou
não é paz de espírito
é aceitação
"o que tem pra hoje"
zé ninguém do meu próprio universo
às custas de algumas lágrimas
mas
sou
eu
assim
.
10 fevereiro 2011
eu comigo
faço
uma ou duas poesias
na esperança
de que
nasça
um nirvana
sentimental
no mundo.
...
um pouco zonza de sono
com calor
ouvindo cães
latindo
na rua
a fim de um
banho
um
cigarro
uma
massagem
...
nos verões anteriores eu sentia um cheiro bom de mato entrando pela janela
mas faz tempo que não rola
nem mesmo meu vizinho do andar debaixo que fumava um...
o cara simplesmente não fuma mais
no greenie for me
...
coçando a cabeça
bocejando
bocejando
boce
jando
...
acabei de contar:
tenho vinte pintas no rosto
e seis na barriga
já meu tipo sanguíneo
não faço a menor ideia
agora
vou medir o teor
de poesia
em mim
(caralho...)
volto
já
uma ou duas poesias
na esperança
de que
nasça
um nirvana
sentimental
no mundo.
...
um pouco zonza de sono
com calor
ouvindo cães
latindo
na rua
a fim de um
banho
um
cigarro
uma
massagem
...
nos verões anteriores eu sentia um cheiro bom de mato entrando pela janela
mas faz tempo que não rola
nem mesmo meu vizinho do andar debaixo que fumava um...
o cara simplesmente não fuma mais
no greenie for me
...
coçando a cabeça
bocejando
bocejando
boce
jando
...
acabei de contar:
tenho vinte pintas no rosto
e seis na barriga
já meu tipo sanguíneo
não faço a menor ideia
agora
vou medir o teor
de poesia
em mim
(caralho...)
volto
já
02 dezembro 2010
barbies, carlton, cinquenta reais e batom chinês
estava escrevendo poesia e deu-se outro escrito, que é real, e é este:
volto a ser menina e virgem. tenho sete anos de idade. uma coitada. menina como antes, moradora do sobrado número 7 na rua félix lattuada, extremamente magra, cabelos castanhos na altura dos ombros, quase estrábica, banguela, fina e frágil. uma verdadeira daminha. simpática, sorridente, de uma educação vitoriana e tão, mas tão educada que deixava todos me roubarem. sim! me roubavam barbies, me roubavam brinquedos, me roubavam em trocas injustas, me roubavam tudo. a filha dos donos da loja de brinquedos, ela tem tudo, vamos roubá-la! e mamãe, oh, vera vera, uma rainha! nada me dizia, nem brigava e assim cresci, livre para me defender ou me permitir furtos, furtos infantis, furtos dolorosos. pois minhas amigas, minhas melhores amigas, aquelas que comiam o delicioso bolo de mamãe, me roubavam! mamãe sabia e nada falava, mesmo brava, mulher brava que era, sim! quase má.
então cresci. tinha já meus doze anos, ainda não menstruara, nem nada. continuava magra, agora um pouco mais feia, desengonçada, chegando à adolescência. mudei-me de casa. rua avaí, água rasa, quase mooca. lá, conheci uma garota, elaine. onze anos, loira, magra e muito pequena. seu pai era químico, austero, de olhos muito claros. já a mãe era dona de casa, tinha uma pele mal cuidada, cabelos descoloridos sempre presos e cheirava insuportavelmente a cigarro. começamos, então, a roubar os cigarros da velha por diversão. maços de carlton, que vinham diretamente do paraguai, pois a mulher comprava caixas e caixas fechadas. roubamos uma vez, depois outra e outra. roubar parecia delicioso! fumávamos. fumávamos nas ruas, nas férias, pela manhã, nos escondendo dos vizinhos atrás dos carros. elaine era cobra criada, eu sabia. mas sua maldade era divertida e tentadora. e depois, roubamos sua vó. uma velhota que morava na rua de baixo. desta vez, fomos mais longe, roubamos cem reais. cinquenta pra mim, cinquenta pra ela. teve plano, estratégia, tudo friamente calculado. uma entretia a velha na cozinha, a outra entrava no quatro, abria a caixinha de madeira e metia a mão na grana. não lembro o que elaine fez com sua parte. já eu, fui à uma loja e comprei um boné. comprei para roberto, meu amor roberto, meu amor secreto, velado. amava-o, amava-o tanto! eu, que até então jamais beijara outros lábios que não os meus próprios, no espelho, fazendo testes e testes, para um dia beijar roberto, o amor da minha vida. tinha certeza, certeza absoluta que era ele!
alguns meses ou anos depois, uma grande surpresa (ou não): flagrei elaine roubando um objeto meu, um batonzinho chinês que custara menos de um real. numa certa noite, durante um jantar com meus pais, elaine empertigou-se com uma desculpa esfarrapada e disse que havia esquecido algo em meu quarto. subiu as escadas. larguei os talheres no prato e subi atrás, escondida, desconfiada, já pressupondo o furto. abri a porta do quarto e lá estava. qual não foi a expressão de horror que vi no rosto daquela criatura, roubando meu batom e, argh!! expulsei-a de minha casa praticamente a pontapés e nunca mais roubei, nunca mais, nunca! a não ser em jogatinas na praia, depois de adulta. roberto nunca beijei. tampouco entreguei-lhe o boné. tampouco foi o amor de minha vida.
volto a ser menina e virgem. tenho sete anos de idade. uma coitada. menina como antes, moradora do sobrado número 7 na rua félix lattuada, extremamente magra, cabelos castanhos na altura dos ombros, quase estrábica, banguela, fina e frágil. uma verdadeira daminha. simpática, sorridente, de uma educação vitoriana e tão, mas tão educada que deixava todos me roubarem. sim! me roubavam barbies, me roubavam brinquedos, me roubavam em trocas injustas, me roubavam tudo. a filha dos donos da loja de brinquedos, ela tem tudo, vamos roubá-la! e mamãe, oh, vera vera, uma rainha! nada me dizia, nem brigava e assim cresci, livre para me defender ou me permitir furtos, furtos infantis, furtos dolorosos. pois minhas amigas, minhas melhores amigas, aquelas que comiam o delicioso bolo de mamãe, me roubavam! mamãe sabia e nada falava, mesmo brava, mulher brava que era, sim! quase má.
então cresci. tinha já meus doze anos, ainda não menstruara, nem nada. continuava magra, agora um pouco mais feia, desengonçada, chegando à adolescência. mudei-me de casa. rua avaí, água rasa, quase mooca. lá, conheci uma garota, elaine. onze anos, loira, magra e muito pequena. seu pai era químico, austero, de olhos muito claros. já a mãe era dona de casa, tinha uma pele mal cuidada, cabelos descoloridos sempre presos e cheirava insuportavelmente a cigarro. começamos, então, a roubar os cigarros da velha por diversão. maços de carlton, que vinham diretamente do paraguai, pois a mulher comprava caixas e caixas fechadas. roubamos uma vez, depois outra e outra. roubar parecia delicioso! fumávamos. fumávamos nas ruas, nas férias, pela manhã, nos escondendo dos vizinhos atrás dos carros. elaine era cobra criada, eu sabia. mas sua maldade era divertida e tentadora. e depois, roubamos sua vó. uma velhota que morava na rua de baixo. desta vez, fomos mais longe, roubamos cem reais. cinquenta pra mim, cinquenta pra ela. teve plano, estratégia, tudo friamente calculado. uma entretia a velha na cozinha, a outra entrava no quatro, abria a caixinha de madeira e metia a mão na grana. não lembro o que elaine fez com sua parte. já eu, fui à uma loja e comprei um boné. comprei para roberto, meu amor roberto, meu amor secreto, velado. amava-o, amava-o tanto! eu, que até então jamais beijara outros lábios que não os meus próprios, no espelho, fazendo testes e testes, para um dia beijar roberto, o amor da minha vida. tinha certeza, certeza absoluta que era ele!
alguns meses ou anos depois, uma grande surpresa (ou não): flagrei elaine roubando um objeto meu, um batonzinho chinês que custara menos de um real. numa certa noite, durante um jantar com meus pais, elaine empertigou-se com uma desculpa esfarrapada e disse que havia esquecido algo em meu quarto. subiu as escadas. larguei os talheres no prato e subi atrás, escondida, desconfiada, já pressupondo o furto. abri a porta do quarto e lá estava. qual não foi a expressão de horror que vi no rosto daquela criatura, roubando meu batom e, argh!! expulsei-a de minha casa praticamente a pontapés e nunca mais roubei, nunca mais, nunca! a não ser em jogatinas na praia, depois de adulta. roberto nunca beijei. tampouco entreguei-lhe o boné. tampouco foi o amor de minha vida.
26 outubro 2010
que o amor nos traga boas notícias
nem o ano acabou
e já me vejo contabilizando
pensando em perdas e ganhos
em todo o amor, medo, zelo
em como aumentou o preço do cigarro
do ônibus
em como são paulo ficou cara de se viver nos últimos tempos
e
cinza e a cores / cinza e a cores
a mudança climática mais honesta
que vivi
não tenho escrito aqui porque me afastei, de fato. comprei um caderno sem pautas, com uma capa de tecido e lá escrevo meus poemas, rascunhos e etc. mesmo com toda a dificuldade que sempre tive ao ler minhas coisas. pela primeira vez na vida escrevi sem comprometimento. apenas comprei. sem saber se me faria bem ou mal. ônibus, cama, lugares. levei o bonitinho comigo em viagem ao nordeste, mas sequer pensei em abrí-lo. não gosto de escrever rodeada de gente. simplesmente não me inspiro. o momento de escrever é solitário. como agora. com headphones e com meu amor dormindo ao lado. em paz. no escuro. às vezes com música. às vezes com a cabeça limpa, numa espécie de meditação. gosto assim. eu ultimamente tenho agradecido muito a deus e rezado de um jeito novo. inovador para uma ex-atéia. descobri que não há vida sem fé. não há nada. há um vazio que regurgita sempre que pode, uma bílis amarga e dolorida. por isso rezo a deus e a natureza. não peço nada que não seja sabedoria e saúde. não peço coisas materiais, não peço graças. peço apenas força e esperteza. me viro com o resto.
foi/é
tudo
róseo
alaranjado
tons maravilhosos
rezar
rezar
para que o amor
nos traga
boas notícias
e já me vejo contabilizando
pensando em perdas e ganhos
em todo o amor, medo, zelo
em como aumentou o preço do cigarro
do ônibus
em como são paulo ficou cara de se viver nos últimos tempos
e
cinza e a cores / cinza e a cores
a mudança climática mais honesta
que vivi
não tenho escrito aqui porque me afastei, de fato. comprei um caderno sem pautas, com uma capa de tecido e lá escrevo meus poemas, rascunhos e etc. mesmo com toda a dificuldade que sempre tive ao ler minhas coisas. pela primeira vez na vida escrevi sem comprometimento. apenas comprei. sem saber se me faria bem ou mal. ônibus, cama, lugares. levei o bonitinho comigo em viagem ao nordeste, mas sequer pensei em abrí-lo. não gosto de escrever rodeada de gente. simplesmente não me inspiro. o momento de escrever é solitário. como agora. com headphones e com meu amor dormindo ao lado. em paz. no escuro. às vezes com música. às vezes com a cabeça limpa, numa espécie de meditação. gosto assim. eu ultimamente tenho agradecido muito a deus e rezado de um jeito novo. inovador para uma ex-atéia. descobri que não há vida sem fé. não há nada. há um vazio que regurgita sempre que pode, uma bílis amarga e dolorida. por isso rezo a deus e a natureza. não peço nada que não seja sabedoria e saúde. não peço coisas materiais, não peço graças. peço apenas força e esperteza. me viro com o resto.
foi/é
tudo
róseo
alaranjado
tons maravilhosos
rezar
rezar
para que o amor
nos traga
boas notícias
Assinar:
Postagens (Atom)