14 agosto 2010

anda andando
com pernas frustradas
de quem comeu
e sentiu
o
amargo


swings so cool
and sways so gentle
como quem passa
e percebe
que
os táxis são amarelos
e os coqueiros
são coqueiros
emudecidos
and swinging


comigo
comigo está tudo bem
comigo



sussa



a três passos da divindade mágica
e do precipício
fé
fé
fé


e a reza que reza ao amanhecer


segue seguindo
com pernas de quem
andou o dia todo
com olhos de quem
quer ver o sol


o sol
o sol
o sol




(o inverno me adoece)

09 maio 2010

poesia em guardanapo

depois
de uma noite ruim
só mesmo
você
e um copo
de chopp


(por débora lopes)




espero sempre
te servir
a poesia necessária
te sorrir
me tropicália...

a noite somos nós.


(por rafael gregorio)

04 maio 2010

manhãs

boto o pé na calçada


o homem do bar, simpático, me diz oi com a cabeça
um senhor com aparência nordestina
de olhos azuis claros
cabelos lisos
curtos
cara de bom sujeito
veste sempre um jaleco azul escuro

me cumprimenta desde que cheguei neste prédio
sendo que, em dois anos, comprei apenas duas coisas em seu boteco-karaokê-lanchonete
uma vez, um maço de cigarros
de uma marca que não fumo
noutra vez, uma fanta laranja
me recordo bem
em garrafa de vidro




faz sol
mas visto um casaco leve
por cima de uma camisa florida




faz sol
mas faz vento
frio



estou numa fase camisas-coloridas-floridas-com-casacos-por-cima




está tudo devagar




o trânsito
o céu
o vento



piso meus primeiros passos
do dia
no chão



antes de sair de casa
o chuveiro desligou
o secador de cabelos secou
o café preto encheu o copo
a manteiga visitou o pão
o isqueiro se juntou ao maço no bolso do jeans
a luz apagou
a dor doeu
a coragem brotou



sabe-se-lá-deus-de-onde





( as coisas criam velocidade )






muitos ônibus
muitos carros
pessoas na calçada
carros no posto de gasolina


as árvores se rebelam
vento
vento
vento


meus cabelos dançam
chapados
no ar
em movimento







o céu azul me mata ........................





















a poesia é minha mulher, minha musa, é minha vontade infinita.











o céu azul me mata

me transporta ao lugar que desejo

o infinito

desconhecido

azul

um azul enorme

doido






sinto-me uma menina
uma criança
um pássaro que só quer voar
quer voar bonito
quer voar livre
quer explorar o céu azul
quer correr pelo vento
e sorrir
quer sair por aí





uma

alma

que

quer

VOAR












eu sou um pássaro. e só quero voar.



das coisas todas que quero
o desejo principal é o desejo de voo



voo lento
livre
lindo








eu só quero voar



voar fora da rotina

me desprender do que pontua as situações

voar com asas que não conheço

criar leveza

desenhar uma linha infinita no céu azul

com o voo

que é meu

que é livre

anárquico

com o voo

que é

de todos

que é aberto

e louco

bem louco

que é chapado

fumado

estraquinado

com olhos de coelho

e é doce

infantil

leve

o voo que é inesperado

que embasbaca

que abre sorrisos

que samba

e batuca

e arrasta os chinelos

é o voo do ano

do século




é o voo que todos querem voar









é o voo

que eu voo

todos os dias

quando vejo o céu

pela manhã

infinita

23 abril 2010

o nome do post anterior seria "poesia ma fucking ass"


mas sei lá a quem fico tentando enganar
nesse blog-zinho de merda
poesia ma fucking ass
estou cansada de ser existencial
e idiota
e sentir
e desejar

rousseau, vá tomar no cu
escritores, todos vocês, vão tomar no cu
comedores de menininhas, vão tomar no cu
literários, poetas e virtuoses, vão tomar no cu




saiam do meu caminho




(pelo menos por hoje)

14 abril 2010

dois

minha poesia é lobo em pele de cordeiro
é falha
oca
sozinha
triste
branca
e
belle époque




me enfio entre o caminho da cabeça
do tronco ao pescoço
e respiro fundo
cheia de vértebras
que dançam
quando preciso dormir


traço uma linha no ar
como uma idiota
uma completa idiota
pra fazer dos tolos
um pouco mais tolos
e fazê-los ver
(sem modéstia)
o que nem eu vejo


é possível?


o gosto deveria ser doce

mas me desce amargo

tal qual café sem açúcar nem nada

















o baixo continua groovado

bem, bem groovado

com um timbre quase acústico

a guitarra pontua o contra

com um pouco de reverb

e sem distorção

daí entra a voz ....................

cremosa





















vozes



















o que tenho ouvido deve ser diabólico

deve pertencer ao paralelo

ao semi-transcendental

pois quando fecho os olhos........... ah.
























tenho um vizinho notívago

talvez mais notívago do que eu

porque todos os dias acordo bastante cedo

ele, não sei

um senhor já

com mais de cinquenta

fumante

fumamos à janela sempre

ele na dele

eu na minha

às vezes são duas, três da manhã

o homem fuma em silêncio

sempre com a luz acesa

eu gosto da meia-luz

nunca nos falamos

tampouco houve olhos nos olhos

porque é sempre escuro

mais vejo uma mancha do que um homem

pudera, não enxergo bem de longe

e também não tenho o desejo de vê-lo

então que, ontem, os dois à janela

um caminhão passa e praticamente arranca um dos fios do poste

nada falamos

o homem fumava

eu também

não nos "olhamos"

o homem pegou o telefone

deve ter ligado para a eletropaulo

falava e gesticulava no escuro de sua janela

com um ar aloprado

e louco

continuei a fumar

envolta por um cachecol vermelho felpudo

fumei

quieta, muito quieta

fechei a janela

me deitei e dormi





agora, escrevo poesia insonsa

o homem continua à janela

às vezes parece curiar o que escrevo

mas não me importo

mesmo se seu olhar fosse biônico

não enxergaria



não enxergaria nada



igualzinho aos tolos



dos quais falei.
















e,
concretizando o pensamento inicial
que nada tem a ver com o homem da janela,
repito o inédito

(isso é possível no meu mundo, quanto ao seu, honestamente, não sei)


:
















são dois gumes


















e são dois cortes























dois.